Projeto prevê contenção de cheias, reserva de água e espaços de convivência. Expectativa é começar a obra ainda em 2026, após contratação e liberação das áreas
O projeto do Parque Inundável Multiuso da Bacia do Rio Camboriú avançou nesta segunda-feira (14) com o lançamento da licitação para sua construção. Com orçamento estimado em R$ 95,2 milhões, o empreendimento pretende enfrentar dois desafios que acompanham o crescimento de Camboriú e Balneário Camboriú: os impactos das enchentes e a necessidade de ampliar a segurança do abastecimento de água.
A concorrência será conduzida pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Região da Amfri (CIM-Amfri), em uma iniciativa conjunta das duas prefeituras. As empresas poderão apresentar propostas até 13 de outubro, quando está prevista a abertura da sessão eletrônica, às 9h.
A expectativa anunciada é iniciar os trabalhos ainda neste ano. Esse cronograma, porém, depende da conclusão da concorrência, da liberação das áreas e das autorizações necessárias. O prazo de execução será de 31 meses, contado a partir da ordem de início dos serviços.
Como o parque deverá funcionar
Previsto para uma área próxima ao Loteamento Jardim Europa, em Camboriú, o parque terá estruturas para reter parte da água durante chuvas intensas e controlar sua passagem pelo rio. A proposta é reduzir o volume que chega rapidamente às regiões mais baixas das duas cidades.
O projeto inclui um dique de aproximadamente 1,6 quilômetro de extensão e 7,6 metros de altura, além de reservatórios, canais, estruturas de escoamento e redes de drenagem.
Em períodos de estiagem, a água armazenada também poderá contribuir para o abastecimento público, após o tratamento necessário. Essa função atende a uma demanda regional que se intensifica no verão, quando o aumento da população flutuante pressiona o consumo.
O conceito prevê ainda espaços de lazer, convivência, esporte e educação ambiental. São áreas planejadas para uso cotidiano que poderão receber água em situações de cheia, ajudando a proteger os espaços ocupados pela população.
Infraestrutura para acompanhar o crescimento urbano
A combinação entre drenagem, abastecimento e espaços públicos coloca o empreendimento entre as intervenções de infraestrutura relevantes para o planejamento urbano das duas cidades.
Além das estruturas hidráulicas, o projeto contempla vias internas, iluminação, sinalização, paisagismo e mobiliário urbano. Também estão previstas recuperação de áreas degradadas, recomposição da vegetação e medidas contra erosão e assoreamento.
Durante o lançamento, a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan, destacou que a primeira etapa concentra investimentos no dique e na segurança hídrica. Já o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, afirmou que espera uma redução de 60% a 70% nas inundações. O percentual foi apresentado pelo prefeito como expectativa para o empreendimento.
Desapropriações e financiamento
O orçamento de referência da licitação é de R$ 95.213.261,53. Segundo os dados divulgados no lançamento, R$ 73.308.077,77 virão de recursos federais do Novo PAC, operacionalizados pela Caixa Econômica Federal, com contrapartida do CIM-Amfri.
A escolha da empresa será pelo maior desconto global. Assim, o valor da contratação será definido ao término da disputa.
Somadas as desapropriações, de responsabilidade da Prefeitura de Camboriú, o custo total poderá ultrapassar R$ 100 milhões. A implantação prevê a desapropriação de aproximadamente 600 hectares, atualmente ocupados por arrozais.
Segundo a secretária de Planejamento de Camboriú, Marcela Eleutério, as negociações começarão por quatro áreas necessárias à passagem do dique, cujas avaliações já foram realizadas.
A emissão da ordem de início também dependerá das condições previstas no edital, incluindo a liberação fundiária, a Licença Ambiental de Instalação, outras autorizações e a comprovação da disponibilidade ou garantia dos recursos.
O lançamento abre, portanto, a etapa de seleção da construtora. A previsão de começar ainda em 2026 permanece vinculada ao cumprimento dessas exigências.











